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Hoje em dia, a pele bronzeada pelo sol é constantemente associada à saúde, à moda e à beleza. Mas isso nem sempre foi assim. Quando a sociedade ocidental se organizou em classes sociais, o bronzeamento da pele era restrito aos trabalhadores braçais, que ganhavam a vida na lavoura ou em atividades ao ar livre com exposição ao sol por longas horas. Quanto mais pálida era a pele, mais alta era a classe social, pois mais distante a pessoa ficava das ocupações relacionadas à baixa renda.

Já na década de 1920, a estilista francesa Coco Chanel, conhecida pela quebra de paradigmas para a moda de sua época, bronzeou-se acidentalmente em uma viagem de iate para a Riviera Francesa. Ao retornar à Paris, associou o novo tom dourado da sua pele a uma tendência de moda, relacionada a aproveitar mais a vida, passear ao ar livre, realizar piqueniques, jogar tênis e outras atividades consideradas femininas. Inspiradas em Chanel e na cantora norte-americana Josephine Baker, que tinha uma pele tom caramelo que caiu nas graças da sociedade europeia da época, as mulheres elegantes passaram a se bronzear.

A indústria da beleza reagiu e passou a produzir maquiagem em tons de marrom e bege e, assim, o bronzeado durante todo o ano passou a ser associado à riqueza e ao lazer. Dos anos de 1940 aos dias de hoje, a indústria foi muito criativa e criou muitos artifícios para a pele ficar sempre bronzeada: biquini, óleo de bebê como bronzeador potente, câmaras de bronzeamento, marquinhas de esparadrapo e fita isolante… até mesmo a boneca Barbie ganhou uma versão com a pele bronzeada. Como as pessoas são suscetíveis e caem no apelo da indústria da moda e da beleza!

Ocorre que, desde os anos de 1985, a Academia Americana de Dermatologia e outras entidades médicas têm alertado a população sobre os riscos da exposição excessiva ao sol. Afinal, ele produz radiação ultravioleta (UVA e UVB), que pode causar lesões irreversíveis à pele, como o envelhecimento precoce (já falamos desse assunto neste post) e o câncer de pele. “É comum acharmos o bronzeado bonito, mas precisamos cuidar com as nossas referências. Muitas vezes, padrão de beleza vigente determina o que é aceitável, mas, do ponto de vista médico, não há vantagem nenhuma em ter uma pele bronzeada pelo sol”, comenta o dermatologista Fernando Fagundes, especialista em envelhecimento cutâneo.

A pele, o maior órgão do corpo, contém células que reagem à dor, ao toque e à temperatura, sendo a principal linha de defesa do corpo humano contra o calor, o frio, lesões, toxinas, substâncias químicas e poluentes. Ao danificar essas células, os prejuízos são muitos e podem ser irreparáveis. Chanel estava certa em seu conceito de aproveitar a vida e em adotar o chapéu como item indispensável do vestuário feminino. Faz bem à saúde a exposição ao sol por períodos curtos, nos horários recomendados pelos médicos dermatologistas e com proteção solar, pois faz o corpo produzir a vitamina D, que metaboliza o cálcio, formando ossos fortes. Fora isso, o sol é vilão e a cor bronzeada é perigosa para a saúde. A pele bronzeada de  hoje será a pele envelhecida de amanhã!